quinta-feira, 4 de março de 2010

Errantes do Fim do Século (fichamento)

SILVA, Maria Aparecida de Moraes. "Errantes do Fim do Século". São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1999.

O livro é de grande relevância na percepção do universo do trabalhador rural durante o período retratado (período pós 1970, no contexto dos processos de modernização agrícola empreendidos pelos governos do período ditatorial até por volta do ano de 1989).
Aponta a conjuntura que levou aos processos de modernização e os reflexos desse processo na vida dos trabalhadores rurais que, uma vez expulsos do campo na região do Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, buscam a alternativa do trabalho sazonal na região de Ribeirão Preto SP.

Fichamento:

“ O fato de Maria Saber lidar com diferentes tempos – o tempo do camponês, o tempo do capitalismo, o tempo do bóia-fria.(...)” P.06
“Não é gratuito o fato de o município de Feliz, no Rio Grande do Sul, ostentar o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), segundo o relatório da ONU. Trata-se da região de pequenas propriedades, que fugiu ao esquema da concentração da riqueza em poucas mãos e, consequentemente, da difusão da miséria para a maioria da população. (...)”
“(...) Bourdieu (...) “as discriminações ... são instituídas... tanto nas coisas quanto nos cérebros”. Pode-se substituir cérebro por psique e ter-se-ão subjetividades impregnadas pelo medo, gerado pelos controles sociais, pelo pânico do desemprego, crescente à medida que os equiapamentos penetram no cmapo, pela cada vez mairo precariedade da existência material.(...)” P. 07
“(...) A análise da vida de Nilza, através da figura da Pombagira, revela uma sexualidade liberta das repressões típica das famílias camponesa. As trabalhadoras vestem calças compridas como os homens , mas cobrem-nas com saias, conservando, assim, um símbolo importante da feminilidade. (...)” P. 08
“ Trata-se de um estudo visando à apreensão dos processos de expropriação, exploração-dominação e exclusão de milhares de homens e mulheres , produzidos no bojo da modernização trágica implantada na década de 1960, cujos efeitos, além do maciço êxodo rural, foram traduzidos por um violento processo de proletarização.(...)” P. 15
“ (...) Atrás dos rostos escurecidos pela fuligem da cana queimada, portanto, por detrás do trabalhador abstrato, enxerga-se o negro, a negra, o migrante, o homem, a mulher. (...)” P. 16
“ A análise do processo de expropriação, prelúdio desta história, prermitirá o entendimento dos sujeitos dominados, fabricados pelas relações de dominação e, concretamente, das ações de submissão e de revolta manifestas, invisíveis, silenciadas, sociais ou individuais. (...)” P. 17
“(...) Trata-se de um verdadeiro ‘investimento’ (Bourdeiu, 1989, p.96) necessário à exploração e à dominação, que só se tornaram possíveis por um ato de força objetivante contra a vontade subjetiva do trabalhador. A introjeção da exploração e da dominação é constitutiva da experiência do trabalho e das atitudes manifesta.” P. 18
“(...) Os antigos coronéis e fazendeiros foram substituídos pelos usineiros e fazendeiros via novos mediadores, sob a égide do Estado e dos aparatos jurídicos.”
“(...) o migrante será percebido, por exemplo, enquanto trabalhador e enquanto ‘negro’, ‘baiano’, ‘mineirada’, enfim, diferente do trabalhador do ‘lugar’. (...) P. 19
“(...) recortes: análise do processo de acumulação primitiva responsável pela expulsão dos camponeses de suas terras no Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais) (...) visar-se-à ao processo de desenraizmento por meio da violência aberta ou não , resultante da ‘acumulação’ primitiva destes proletários. Análise do processo de exploração-dominação a partir das três vertentes (classe, gênero e étnico-racial) (...) a modernização trágica, compreendida pelos processos de expropriação, exploração-dominação e exclusão. (...)” P.20
“ (...) técnicas de pesquisa (...) história oral por meios de entrevistas, relatos orais e histórias de vida; aplicação de questionários a partir de uma amostragem aleatória acerca das condições de vida e trabalho. (..) levantamento sobre a compra e venda de terras no cartório de Registro de Imóveis na cidade de Minas Novas (Minas Gerais). Além de fontes primárias, dados dos censos, da Fundação Seade, do Instituto de Economia Agrícola e da imprensa completaram as informações obtidas. Os dados quantitativos têm a finalidade de complementar os relatos orais. (...)realização de entrevistas e histórias de vida com homens e mulheres. (...) P. 21
“(...) No que tange à utilização das fotos, como técnica de pesquisa, cabe salientar que elas foram produzidas no contexto dos objetivos da investigação. (...) P. 22

Um comentário:

dickson disse...

professora bia pedir a senhora o fichamento do livro "Errantes do fim do seculo" pois infelizmente não tenho dinheiro para compra-lo.Se puder peço ,humildemente para me enviar meu email é:dicksonmaguines@yahoo.com.br
obrigado